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SIMERS alerta para “epidemia” de violência contra médicos e monitora crise hospitalar no interior do RS

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SIMERS alerta para “epidemia” de violência contra médicos e monitora crise hospitalar no interior do RS
SIMERS alerta para “epidemia” de violência contra médicos e monitora crise hospitalar no interior do RS (Foto: Reprodução)

O presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Marcelo Matias, iniciou nesta semana uma série de agendas pelo interior do estado para tratar de crises na gestão hospitalar e denunciar o que classifica como uma “epidemia” de violência — inclusive digital — contra profissionais da saúde. Em entrevista à Rádio Sepé, o dirigente destacou casos de perseguição política e detalhou a mobilização da categoria em cidades como Frederico Westphalen, Santo Ângelo e Cruz Alta.

O alerta do sindicato ocorre em um contexto nacional de crescente violência no setor. Levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM) aponta que o Brasil registrou 4.562 boletins de ocorrência por agressões contra médicos em 2024 — o maior número da série histórica, equivalente a cerca de 12 casos por dia.

Crise e demissão em massa em Frederico Westphalen

Um dos pontos mais críticos da agenda de Matias é a situação em Frederico Westphalen. Segundo o presidente, a categoria reagiu com indignação ao afastamento de um dirigente sindical que denunciou condições precárias de atendimento.

Em um movimento de solidariedade, cerca de 20 médicos que atuavam em regime de sobreaviso entregaram suas cartas de demissão, agravando o cenário assistencial.

Matias classificou a retaliação como “inaceitável” e reforçou que o Código de Ética Médica impõe ao profissional o dever de denunciar irregularidades. “Nós não podemos deixar que o hospital entre em crise, não pague os profissionais, não tenha condição de atendimento (…) e ainda por cima persiga todo aquele que faça uma denúncia correta”, afirmou.

Campanha contra a “epidemia” de assédio digital

Durante a entrevista, Marcelo Matias revelou que o Simers prepara o lançamento de uma campanha específica de combate à violência digital contra médicos — fenômeno que, segundo ele, tem se intensificado nos últimos anos.

Dados recentes indicam que, além das agressões físicas e verbais, cresce também o número de ataques virtuais, incluindo ameaças, difamação e exposição indevida de profissionais.

“Tu estás falando sobre algo que se transformou em uma epidemia no estado do Rio Grande do Sul. São políticos que têm objetivo de ganhar votos nos locais onde existe sofrimento”, declarou Matias, ao criticar o uso político de situações de crise na saúde.

O dirigente citou ainda um caso ocorrido em Novo Hamburgo, onde um médico teve três costelas quebradas após abordagem da Guarda Municipal dentro de uma unidade com alta demanda de pacientes, em um contexto que classificou como de “proselitismo político”.

Gestão de escalas em Santo Ângelo e Cruz Alta

Em Santo Ângelo e Cruz Alta, a agenda do Simers concentra-se na organização das escalas de pediatria e obstetrícia. O sindicato busca compreender por que profissionais locais relatam dificuldades de acesso a plantões, enquanto há contratação de médicos de fora dos municípios.

“Precisamos entender o que está acontecendo para ver se podemos contribuir no sentido de ter uma escala firme com profissionais vinculados ao município”, explicou Matias, destacando que a fixação de médicos nas cidades é um dos principais desafios estruturais do interior.

Diante do cenário, o Simers afirma que seguirá atuando nas esferas jurídica e institucional para garantir condições de trabalho aos médicos e qualidade no atendimento à população.

A entidade também integra iniciativas como o Observatório da Violência na Saúde, criado para monitorar ocorrências e propor medidas de proteção aos profissionais.

Redação Grupo Sepé

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